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Na fazenda Liberdade, onde Coronel vivia,
seus empregados e colonos gozavam de regalia,
mas tudo que bom se acaba, cada coisa tem seu dia.
Foi numa tarde de março que o Coronel falecia,
um preto velho chorou na hora que o caixão saia.
Era o peão mais antigo que na fazenda existia.

Com a morte do Coronel o seu filho virou patrão,
mas não herdou do seu pai aquele bom coração,
mandou chama o preto velho e falou sem compaixão:
-Vou mandar você embora, não tenho mais precisão,
preciso de gente nova pra tratar da criação!
Foi mais um golpe doído, na vida desse cristão.

No palanque da mangueira o preto velho encostou,
ali de cabeça baixa seu passado relembrou...
Quantos bois cuiabanos que em seus braços berrou?
Quantos potros redomão sua chilena cortou?
Derepente no portão um estalo ele escutou.
Um pantaneiro furioso na mangueira penetrou.

A filha do fazendeiro, aquela prenda querida,
aquele anjo inocente brincava, ali, entretida.
E o preto velho saiu correndo com suas pernas enfraquecidas.
Parou na frente do touro, na hora da investida,
no chifre do pantaneiro a sua força foi vencida...
Pra salvar a sinhazinha ele arriscou sua própria vida.

O fazendeiro correndo, cinco tiros disparou,
derrubando o pantaneiro mas nada disso adiantou,
socorrendo o preto velho e o coitado inda falou:
-Mande benzer sinhazinha do susto que ela levou,
eu preciso ir embora, minha hora já chegou.
Um preto de alma branca deste mundo descansou


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